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Solenidade do Sagrado Coração de Jesus


“Eis o Coração que tanto amou os homens, que não poupou nada até esgotar-Se e consumir-Se, para manifestar-lhes Seu amor. E, como reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões, desprezos, irreverências, sacrilégios, friezas que têm para comigo neste Sacramento de amor. E é ainda mais repugnante, porque são corações a Mim consagrados.”


Hoje é dia de celebrarmos com muita alegria a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e iniciamos este texto com o que Nosso Senhor disse a Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Ordem da Visitação de Santa Maria, em uma de suas aparições, mas também precisamos nos lembrar de Santa Mectildes e Santa Gertrudes, duas monjas beneditinas do século XIII, que tiveram diversas experiências místicas, e são consideradas as iniciadoras da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.


O Sagrado Coração de Jesus é um refúgio para os pecadores, e o fundamento dessa devoção é o amor a Deus, e esse mesmo coração é um porto seguro para todos nós. Foi o próprio Jesus quem nos assegurou isso quando disse: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (Mt 11, 28). Ao convidar os fatigados e cansados a irem até Ele, Jesus se refere não apenas a fadiga física, mas principalmente a espiritual. Nesta aproximação, realiza-se uma via de dupla consolação: a alma encontra descanso em Cristo, e, ao mesmo tempo, ao dirigir-se ao Sagrado Coração, participa da reparação pelas ofensas — O consolamos da frieza, a ingratidão e o desprezo — que Ele recebe em resposta ao Seu amor redentor.


E para reparar essas ofensas, Nosso Senhor pediu que a primeira sexta-feira após a Solenidade de Corpus Christi fosse dedicada a uma festa especial, com atos de desagravo, não somente pelas ofensas dos ateus e pagãos, mas sobretudo pelas daqueles que, consagrados a Ele pelo Batismo, pelos votos religiosos e pela ordenação, não correspondiam ao seu amor. A Igreja, acolhendo essa revelação privada e reconhecendo nela uma verdade consonante com a fé, instituiu a Solenidade do Sagrado Coração.


Essa é a fé católica. Jesus não precisaria aparecer para afirmar isso; bastaria meditarmos na Verdade revelada por Ele à Igreja há dois mil anos, bastaria amá-Lo de  todo coração, de toda alma, de todo entendimento, mas seguimos através dos nossos muitos pecados, como uma lança, a ferir aquele mesmo coração transpassado na cruz. Por isso hoje, mais do que amar e adorar ao Sagrado Coração de Jesus com o mesmo amor com que Ele nos ama (sim, isso é possível quando comungamos em estado de graça e buscamos corresponder a este amor dado na Eucaristia), é necessário que abandonemos àquilo que fere a Nosso Senhor para buscar a santidade, alcançar o Coração que consola, e a misericórdia no Sangue que lava e purifica.


Elvis Silva

Mater Christi

 
 
 

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